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CBD no rugby profissional: por que atletas buscam alívio da dor e recuperação

Uma pesquisa com 517 jogadores mostra uso relevante, percepção de benefício e uma lacuna preocupante de orientação especializada.

FP

Fernando Paternostro

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis

17 de jul. de 2026

atleta de rugby tratando lesão com cannabis

O CBD já fazia parte da rotina de uma parcela relevante do rugby profissional antes mesmo de existirem respostas sólidas sobre seus efeitos na recuperação. Um estudo publicado em 2020 ajuda a dimensionar esse comportamento — e mostra por que percepção de benefício não deve ser confundida com comprovação clínica.

O que os pesquisadores investigaram

O estudo reuniu respostas de 517 jogadores profissionais de rugby union e rugby league, distribuídos em 25 equipes masculinas. O objetivo não era testar um tratamento. Tratava-se de uma pesquisa observacional para entender quantos atletas usavam CBD, por quais motivos, onde buscavam informação e quais benefícios acreditavam perceber.

Esse detalhe é essencial: um levantamento de uso descreve escolhas e percepções, mas não consegue demonstrar que o CBD causou melhora de dor, sono ou recuperação.

O que apareceu nos resultados

No total, 26% dos jogadores já haviam usado CBD: 18% relataram uso anterior e 8% ainda utilizavam o composto. A frequência aumentou com a idade e chegou, em média, a 41% entre atletas com 28 anos ou mais. O uso também foi mais comum no rugby union do que no rugby league, enquanto a posição em campo não fez diferença relevante.

Entre os usuários, 80% apontaram recuperação ou controle da dor como motivo para recorrer ao CBD, e 78% citaram o sono. Cerca de 68% disseram perceber algum benefício.

O dado mais delicado talvez esteja na origem da informação: 73% usaram a internet e 61% recorreram a colegas de equipe, enquanto apenas 16% consultaram um nutricionista. Isso sugere que decisões com implicações para saúde e antidoping estavam sendo tomadas, em grande parte, fora de uma orientação profissional.

Por que jogadores de rugby olham para o CBD

O rugby combina esforços intensos, colisões repetidas, dor muscular e inflamação. É compreensível que atletas procurem estratégias para dormir melhor e lidar com desconfortos ao longo da temporada. O estudo mostra a força dessa demanda, mas não confirma que o CBD seja a resposta.

Relatos positivos podem sofrer influência de expectativa, seleção de memória, outras estratégias de recuperação e variações naturais do quadro. Sem grupo placebo, padronização de produto e medidas objetivas, não é possível separar esses fatores.

O alerta antidoping

O CBD isolado não integra a lista de substâncias proibidas da WADA. Isso não torna qualquer produto de CBD automaticamente seguro para um atleta testado. Outros canabinoides, incluindo THC, podem ser proibidos em competição, e produtos comerciais podem conter substâncias não declaradas ou concentrações diferentes das informadas no rótulo.

No esporte, vigora o princípio da responsabilidade objetiva: o atleta responde pelo que aparece em sua amostra. Por isso, procedência, composição, análise independente e avaliação do risco importam tanto quanto a intenção de uso.

O que este estudo permite concluir

A pesquisa documenta uma prevalência relevante e uma busca real por alternativas para dor, sono e recuperação no rugby profissional. Também revela uma distância entre o uso e a qualidade da orientação recebida.

Ela não prova que o CBD melhora recuperação, reduz dor ou promove sono. A principal conclusão prática é outra: atletas precisam de educação baseada em evidências, orientação individualizada e informação antidoping confiável antes de qualquer decisão.

Para quem compete, uma conversa com profissionais de saúde e com a equipe responsável pelo antidoping não é burocracia. É parte do cuidado com a carreira e com a própria saúde.

Aviso

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.

Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.

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